Sobre a mesa
repousa um vaso d’água, e outras quinquilharias retorcidas pelo tempo. O escuro dos
objetos vai escorrendo pelo piso de madeira. A luz fraca misturada aos ares ainda gelado de fim de inverno, palidez mórbida,
atravessa a vidraça quebrada refletindo no chão criando formas estranhas, balançando o velho casaco apoiado sobre as costas da cadeira - os sapatos puídos descansam num canto. Lá fora geme o vento, e os minúsculos
insetos tateiam a folhagem. Ele está calado, seus olhos não vibram, perderam o brilho, o
fio das horas escorrega-lhe pelas mãos. É preciso estar vivo para suportar o
tempo.
Irineu Magalhães
Irineu Magalhães
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