Se um dia eu
escrever um conto, já tenho um nome para uma das personagens: Lisa. Ela por
pouco não morreu quando jovem. Tinha fugido da casa dos pais para morar numa
praia semideserto. Numa tarde foi mergulhar, ficou com o pé preso nos corais, a
maré estava subindo. Ultimamente venho me acostumando a imaginar que a memória
é a alma, um baú cheio de coisas velhas, mas necessárias para se viver. Já há
algum tempo ando ouvindo vozes, vejo rostos nos lugares menos improváveis: nas
sombras das árvores, na parede mofada, nas ruínas. Falo sozinho também, não
estranhem se um dia me ouvir, não é nada pessoal, sou eu falando comigo. Queria
muito que tudo que vejo, ouço, falo, faço, fosse real, e Lisa também,
principalmente ela, suportar a realidade é a parte mais difícil de se viver.
Vivo com as cabeça nas nuvens, não sou gigante, é que tenho asas. Vez e outra vejo
geena e o éden em chamas.
Irineu Magalhães
Irineu Magalhães
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